quarta-feira, setembro 23, 2009

Sangue bom

Tenho sido barbaramente atacado por melgas. Voos rasantes, a pique e zumbido ensurdecedor. As investidas, na calada da noite, despertam-me do sono profundo. Tapo-me com o lençol e espero, imóvel mas atento, que o assalto termine. Mas nunca termina. Só há uma solução: a retaliação. Acendo a luz munido das armas necessárias para o abate. Perscruto todos os cantos do quarto até encontrar a besta. Pé ante pé e quase sem respirar, aproximo-me do alvo e desfiro o golpe fatal na esperança deste ser certeiro e definitivo. Um risco de sangue pinta a parede branca. Respiro fundo e deito-me satisfeito. Quase não me lembro de voltar a adormecer…

5 comentários:

Suzi disse...

Praticamente um capítulo de um romance policial... Um assassino frio que se compraz com o risco de sangue na parede branca...
Na manhã seguinte, um homem bom que segue para o escritório em sua bicicleta colorida, no fundo temendo que os automobilistas igualmente desintegrem seu corpo...

ahahahahaha!!!
Que (real) ficção!

triss disse...

E docinho também:-)

marta r disse...

O pior é que de manhã tens que limpar a parede!

Custódia C.C. disse...

Mas que raio se passou com as melgas este Verão? Também só apareceram lá em casa esta semana... e eu a pensar que já estava livre .. grr grrr

Catissarque disse...

Bem me lembro dessas noites desesperantes mas felizmente desde que me mudei para um 7º andar que o pesadelo acabou, melgas nem vê-las e muito menos ouvi-las (acho que não devem ter permissão da torre do aeroporto de Lisboa para voar tão alto.